Um Grande Ímã no Espaço

Como diria uma famosa companhia de filtros solares: “a vida gira em trono do Sol”. Bom, a maior parte da vida que conhecemos, pelo menos. Basta, no entanto, uma breve espiada nos nossos vizinhos do Sistema Solar para se notar uma interação no mínimo hostil com a estrela. Ventos solares (ejeções massivas de radiação eletromagnética e partículas carregadas, a altíssimas velocidades) arrasam incessantemente a superfície e a fina atmosfera de Marte, e o planeta vermelho fica a algumas fileiras atrás do nosso em relação ao centro do espetáculo. O que faz do Sol uma figura tão amigável (em termos gerais) para nós? A resposta está no interior. Não, não seu interior nem onde você costuma passar o final de junho. No interior da Terra. Sim.

Representação artística de ventos solares varrendo íons de Marte. Dificilmente os protetores terráqueos de fator 50 seriam de alguma ajuda nessa situação.

O planeta Terra apresenta um campo magnético próprio que se assemelha às linhas de campo formadas por um ímã comum, levemente inclinado em relação ao eixo de rotação. Esse campo não apresenta lá uma intensidade muito chamativa, mas você faz bem em ficar contente que ele exista. O motivo? É graças ao campo terrestre que podemos gozar de um dia na praia sem maiores preocupações do que evitar uma queimadura ou uma marca de biquíni mal posicionada. A também chamada magnetosfera é responsável pelo bloqueio da maior parte dos tais ventos solares, o que garantiu o desenvolvimento e a manutenção da vida por eliminar a parcela mais nociva das emissões do Sol.

Campo magnético da Terra bloqueando parte de uma labareda solar (representação artística). Não fosse pelos movimentos astronômicos da Terra ela bem poderia estar presa em alguma geladeira cósmica.

A maneira como esse escudo natural é gerado ainda se configura um mistério para as Ciências da Terra, embora se tenham bons modelos de como a coisa toda funciona. A teoria mais aceita é a do geodínamo, onde as profundezas da Terra funcionariam como um dínamo em que os núcleos metálicos do planeta serviriam como fonte de correntes para regiões do interior da Terra que, incrivelmente, deverão estar exatamente alocadas de um jeito que o resultado final seja o campo que medimos na superfície. Pela Lei da Indução de Faraday, correntes elétricas passando por meios condutores geram um campo magnético, mas nada indica que o centro da Terra ou suas redondezas tenham a configuração necessária para que um campo com tal formato (semelhante a um dipolo comum, o ímã) apareça.

            Uma consequência estonteante do trabalho do campo magnético da Terra é a ocorrência das auroras. Esse fenômeno luminoso é fruto da entrada e choque de partículas energizadas contra a atmosfera. Devido ao fato dessas partículas serem guiadas aos polos do planeta pelo campo, assim que recebidas do Sol, eventos de aurora são comuns em países de altas latitudes e na Antártida (auroras nortistas são chamadas de boreais, enquanto que as ocorrentes no sul são chamadas de austrais).

            A magnetosfera assim segue: permitindo nossa perseverança na Terra em que pisamos e alimentando a motivação pelo conhecimento que leigos e cientistas tanto se refestelam. E é claro, com um belíssimo show de luzes para você que lê esse texto do norte da Noruega.

 

 

 

João Paulo Falcão Nascimento

 

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Posted by innovoengenharia

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