Síndrome de Burnout: Seu trabalho te esgota?

 

Você já ouviu falar na Síndrome de Burnout? É um distúrbio psíquico, conhecido também como Síndrome do Esgotamento Profissional, caracterizado por um estado crônico de tensão emocional e stress, provocado pela submissão à condições de trabalho física, psicológica e mentalmente desgastantes. Se você trabalha na área de saúde, educação, recursos humanos, TI, na indústria, é policial ou bombeiro ou é mulher (que sofre com aquela maldita imposição social da jornada dupla de trabalho), saiba que está mais propensa ou propenso a desenvolver essa síndrome.

Entre os sintomas se encontram dores de cabeça, enxaqueca, cansaço, pressão alta, dores musculares, insônia, assim como ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima, irritabilidade, lapsos de memória, dificuldade de concentração e mudanças bruscas de humor. Todos esses sintomas são reflexo da sensação de esgotamento físico e mental decorrente da atividade trabalhista.

O diagnóstico da síndrome de Burnout é um pouco difícil de ser realizado devido ao fato de alguns dos seus sintomas serem bastante semelhantes ao stress, uma vez que esse distúrbio decorre justamente de um estado de stress intensificado e prolongado. Mas enquanto o stress te deixa hiperativo, super emotivo e em estado de alerta, a síndrome de Burnout te deixa desmotivado, apático.

É importante ressaltar que a síndrome de Burnout é um fenômeno psicossocial, ou seja, um fenômeno psíquico que se reproduz em determinado contexto histórico e social. Dentro dessa perspectiva, o mundo do trabalho contemporâneo se relaciona com as três dimensões que compõem a síndrome de Burnout, a saber: a exaustão emocional, a despersonalização e a diminuição da realização pessoal.

A exaustão emocional, como o próprio nome sugere, diz respeito ao trabalhador no limite das suas forças físicas e mentais, incapaz de concluir o projeto no qual se encontra ou iniciar um novo. No atual contexto sócio-histórico, a exaustão é decorrente do modo de produção e de trabalho que aumenta a demanda produtiva, diminui os prazos, impõe metas abusivas e por vezes exige o acúmulo de funções. Na área da Tecnologia da Informação, onde trabalho há alguns anos, os prazos são bastante reduzidos devido à importância que os equipamentos de informática possuem hoje dentro de qualquer empresa, além da exigência de conhecimentos de hardware, software, rede, língua inglesa, relacionamento com o cliente, pacote office, clientes de email, além de manjar tudo sobre smartphones (isso quando não nos pedem para consertar o ar-condicionado!).

A despersonalização se caracteriza pela postura descrente e apática do trabalhador em relação à suas atividades e a seus colegas de trabalho. Além da sua relação direta com a exaustão emocional, é importante salientar o caráter alienante do trabalho, também característico do modelo de produção contemporâneo, onde o trabalhador não possui autonomia sobre a produção e onde o trabalho muitas vezes se torna mecanizado e sem a valorização das relações humanas entre os colegas dentro da organização. Isso é bastante comum principalmente na indústria, no chão de fábrica, onde os técnicos vivem uma rotina muitas vezes engessada e repetitiva.

Por último, a diminuição da realização pessoal, decorrente das duas outras dimensões citadas e da ausência de uma recompensa pelo trabalho executado, seja através do retorno de um salário digno e proporcional ao esforço dispensado, seja através da valorização profissional (“Bom trabalho, você é o cara!” ou aquele bônus no fim do mês pra você ostentar no Outback).

Na esfera individual, é possível prevenir a síndrome de Burnout através de algumas medidas simples, como a prática de exercícios físicos regulares, a construção de hábitos alimentares saudáveis e o repouso diário necessário. Porém, tão importante quanto a mudança de sua rotina diária, é necessário que se mude a estrutura organizacional do mundo do trabalho, bem como o modelo de produção atual que são, em última instância, a causa do stress que assola todos nós trabalhadores. Reflita por um instante: o que faz você ficar mais de um terço do seu dia num emprego estressante, num ambiente desconfortável, trabalhando para um chefe que você odeia?

 

Antonio Bruno Rocha Vivas

 

Referências:

http://drauziovarella.com.br/letras/b/sindrome-de-burnout/

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-37172007000200003

http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/esgotamento_total.html

https://jus.com.br/artigos/35655/caracterizacao-da-sindrome-de-burnout-como-doenca-do-trabalho

http://www.helpguide.org/articles/stress/preventing-burnout.htm

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