Dois grandes engenheiros

Parece difícil de acreditar, mas nos dez cursos mais concorridos da USP em 2013, apenas 4 tiveram matrículas de negros autodeclarados. Apesar de não termos encontrados dados atualizados, acreditamos que a realidade da USP não é diferente nas Universidades baianas.

Para o movimento negro é preciso que a população afrodescendente ocupe o maior número de cursos superiores. Além disso, é importante que existam políticas públicas de inserção nas universidades, para que os negros se identifiquem com algum representante de área.

Para que a população negra se reconheça dentro da comunidade de estudantes e profissionais de cursos superiores de Engenharia, traremos dois grandes personagens de grande importância para a área.

As personalidades são André Rebouças e Teodoro Sampaio. Dois negros e baianos que foram de grande importância e que ajudaram a construir o Brasil.

André Rebouças

André Rebouças nasceu em Cachoeira no ano de 1838. André era um dos sete filhos do autodidata e conselheiro do Império, Antônio Pereira Rebouças, e da senhora Carolina Pinto Rebouças. Alfabetizado pelo pai, ele frequentou o Colégio Militar e em 1857 foi promovido a tenente do Copo de Engenheiros. Em 1859, André bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemáticas. No ano seguinte graduou-se em engenheiro militar.

Entre os trabalhos de importância do engenheiro estão as obras de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro e a construção das docas da Alfândega. André também foi professor, secretário do Instituto Politécnico, além de atuar como membro do Clube de Engenharia.

O engenheiro também foi muito atuante nas questões sociais e abolicionistas do Brasil. Ajudou a criar, ao lado de Joaquim Nabuco e José Patrocínio, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Além disso, participou da Sociedade Central de Imigração e da Conferência Abolicionista.

André Rebouças morreu com 60 anos, depois de passar algum tempo exilado em Lisboa.

Teodoro Sampaio

Teodoro Fernandes Sampaio nasceu em 1855, e era filho de uma escrava. Não há dados que confirmem, mas seu pai pode ter sido um padre. Aos 10 anos, o garoto foi separado da mãe e foi para o Rio de Janeiro concluir os estudos.

Em 1877, Teodoro graduou-se em Engenharia pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. No ano de 1879, participou da comissão hidrológica nacional e tornou-se o único brasileiro entre engenheiros dos EUA que participaram do projeto. Participou ainda da construção da ferrovia São Francisco-Salvador, que ligava a cidade de Salvador até Alagoinhas e foi o primeiro engenheiro a utilizar a geodésia, que estuda o terreno com base no formato redondo do planeta. O que tornou os seus levantamentos topográficos mais precisos.

Em Salvador, Teodoro contribuiu com o desenvolvimento do urbanismo, além de ser o responsável pelo sistema de esgotamento da cidade. Também é considerado um dos fundadores da Escola Politécnica de São Paulo (hoje, a POLI-USP) e do Instituto Geográfico de São Paulo.

Teodoro faleceu em 1937, depois de tornar-se deputado Estadual da Bahia e de influenciar e ajudar o escritor Euclides da Cunha no seu livro “Os Sertões”, na descrição topográfica, de relevo e clima.  

Tanto André Rebouças, quanto Teodoro Sampaio foram grandes engenheiros que influenciaram de algum modo a vida urbana e social de suas épocas.

 

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Posted by Joseane Rosa

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