Engenharia o quê? 

grande-campus-engenharias

Na época de vestibular as pessoas me perguntavam qual curso eu iria tentar nas universidades federais da vida. Minha resposta era sempre pronta: Engenharia.

O engraçado é que a primeira engenharia que vinha da cabeça das pessoas era a Civil. Certamente porque, na época, a Engenharia Civil era a que mais empregava e a que mais tinha resultados, digamos, concretos. As pessoas conseguiam (e conseguem ainda) enxergar com mais facilidade os resultados de uma bela construção de um prédio ou, talvez, desafios tecnológicos, como pontes enormes e megaconstruções que simplesmente superam a imaginação das pessoas comuns.

E é bastante intuitiva essa ligação de Engenharia com a Civil. Ela surgiu como uma classe da Engenharia Militar, onde quem não exercia a “Engenharia Militar” (os Não-Militares) era considerado como Engenheiro Civil – até hoje utilizamos os termos “militar “ e “civil” como coisas duais (Policia Militar e Policia Civil, por exemplo). Então, ela é a mais popular de todas desde sempre. Veja as grandes construções antigas, por exemplo. As Pirâmides do Egito, as Grandes Mesquitas espalhadas pelo mundo, dentre outras, são fortes exemplos da popularidade desta Engenharia Civil.

No entanto, a primeira engenharia que foi, digamos, “inventada”, foi a Engenharia Mecânica. Esta nasceu com a necessidade do ser humano de desenvolver ferramentas para caça e proteção. Mas, se ligarmos as coisas, a Engenharia Militar é a própria Engenharia Mecânica, que compõe as que considero “Engenharias bases”, ou seja a Engenharia Mecânica e Civil. Estas definem basicamente toda a parte de estrutura de forças e resistência dos materiais envolvidos em qualquer etapa de construção de algum equipamento.

Note que a Engenharia Elétrica também faz parte desse grupo, só que esta é um pouco mais nova. Os fenômenos elétricos foram conhecidos a partir do Séc. XVII e só foram realmente validados em meados do Séc XIX, com a brilhante observação de Faraday-Oested de que a variação do campo elétrico num condutor produz magnetismo. Mais tarde, Maxwell provou que a recíproca era verdadeira: campos magnéticos produzem campos elétricos e a teoria do Eletromagnetismo foi concretizada, dando origem a uma série de aplicações, como a transmissão da eletricidade. A grande cereja do bolo foi a conclusão de que a Luz é uma onda eletromagnética.

Veja que, essa tríade Civil-Mecânica-Elétrica no campo da engenharia é, talvez, a mais importante combinação das Ciências da Natureza e a Matemática. Se considerarmos a química com o seu grau de importância, o surgimento dos materiais está atrelado a ela. As coisas são interligadas.

Como os campos de estudos são muito amplos para tais engenharias, a tendência é que estas se particionem e configurem um conjunto de áreas separadas, porém interdependentes. Por exemplo, a Engenharia Elétrica pode ser particionada em diversas áreas, como a Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Telecomunicações e Engenharia Eletrônica. A Engenharia Civil pela necessidade de interferir no meio ambiente, foi criada a Engenharia Sanitária e Ambiental. A Engenharia Naval e Engenharia Aeronáutica foram novas ideias que nasceram por demanda de aplicações da Mecânica de Fluidos da Engenharia Mecânica. A Engenharia Metalúrgia e de Materiais foram criadas para aprofundar os estudos da estrutura dos materiais, algo que a Engenharia Química também faz.

Mais à frente foi verificado que não só o conhecimento técnico faz um bom engenheiro. Este deve saber tomar decisões e gerenciar equipes de trabalho. A Engenharia de Produção, assim, oferece uma gama de conhecimentos voltados para a gestão e conhecimentos econômicos, algo essencial para qualquer área que possa seguir.

Percebam, no entanto, que não existe uma engenharia “mais forte’ que a outra. Os campos de aplicação são completamente interdependentes e que precisam de um conhecimento avançado de física e matemática para o desenvolvimento dele. E de um pouco de bom senso também. Bons engenheiros têm bom senso na avaliação de resultados e em tomadas de decisões.

 

Paulo Geovane S. Mattos Jr

Estudante de Engenharia Elétrica 6º período UFRJ

Comments

comments

Posted by innovoengenharia

This article has 1 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *