A Ilha do Conhecimento

 Um livro sobre a convergência entre a ciência e o sentido da vida

Com uma prosa fácil e fluída, o professor e astrônomo brasileiro, Marcelo Gleiser, entregou em seu último livro, um atestado impresso de amor a ciência e a eterna busca do ser humano por conhecimento.

Publicado pela Editora Record, em Junho de 2014, A Ilha do Conhecimento traz uma proposta ambiciosa ao buscar (e apontar) como é efêmero, o entendimento e a constatação do novo de cientistas e estudiosos. Como é tênue essa linha divisória entre o conhecido e incógnito. Sobre como cientistas se deparam com o novo e como essas implicações mudam (e mudaram) o cenário da ciência como um todo.

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Já gabaritado por inúmeras publicações de cunho cientifico e até de teor filosófico, Gleiser é um escritor experiente que usufrui dessa habilidade desenvolvida, para tecer um extenso panorama sobre alguns aspectos pertinentes a qualquer ser humano. A origem do mundo, o espaço-tempo, a (in)finitude do universo, a capacidade cognitiva do cérebro, o multiverso, a natureza da realidade e os limites e as extensões do conhecimento. Convenhamos, é improvável não se interessar por algumas dessas questões.

Dividido em três partes, a publicação apresenta em seu título a figura de uma ilha, como a imagem de algo a ser explorado, onde pelo seu espaço e confinamento, podem ser compreendidos, como um limite ou uma opção para explorar e entender o que lhe cerca.

Nessa representação, encontramos na obra como um todo, um resumo claro e proveitoso sobre a ciência dos primeiros dias até as atuais previsões. Onde na primeira parte do livro, conhecemos sobre a história do universo, sua cosmologia e os nomes dos principais responsáveis e seus respectivos feitos nessa jornada. Na segunda parte do livro, é possível deparar-se com a beleza e o assombro do micro, do atômico e por consequência da física quântica. Na última parte do livro, Gleiser relata sobre a matéria, a mente e de forma subjetiva sobre a busca por sentido do homem.

Um aspecto interessante apresentado no livro foi a constatação sobre o Bóson de Higgs, a famigerada partícula de Deus descoberta pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (a CERN) em 2012. Gleiser discorre sobre o curioso fato exemplificado nessa ocasião, de que, formulada a teoria sobre a existência de tal partícula com a colisão de prótons, os cientistas estariam certos e todo o desprendimento humano e financeiro estaria validado. Porém, inúmeros cientistas que trabalhavam no projeto ansiavam por encontrar uma outra partícula, um outro elemento que dispusesse a ciência em novo patamar, que constatasse que a subdivisão do átomo ia muito além de Higgs. Uma revolução por assim dizer. E assim foi. Além da comprovação da existência do bóson, foi comprovado outras subpartículas que deram origem a outros estudos e experimentos (cogitados até com elementos pesados).

Outro exemplo desse aspecto foi a teoria gravitacional pressuposta por Isaac Newton, onde por meio de um resultado não tão conclusivo sobre a órbita de Mercúrio, essa por conseguinte serviu de base a tese máxima de Einstein, que culminou na Teoria Geral da Relatividade.

O crescimento da Ilha tem uma consequência tão surpreendente quanto essencial. Seria razoável supor que, quanto mais sabemos sobre o mundo, mais perto estaríamos de um destino final, que alguns chamam de Teoria de Tudo e outros de realidade última. No entanto, inspirados pela nossa imagem, vemos que, quando a Ilha do Conhecimento cresce, nossa ignorância também cresce, delimitada pelo perímetro da Ilha, a fronteira entre o conhecido e o desconhecido: aprender mais sobre o mundo não nos aproxima de um destino final — cuja existência não passa de uma suposição alimentada por esperanças infundadas —, mas, sim, leva a novas perguntas e mistérios. Quanto mais sabemos, melhor entendemos a vastidão de nossa ignorância e mais perguntas somos capazes de fazer, perguntas que, previamente, nem poderiam ter sido sonhadas. 

A Ilha do Conhecimento é uma leitura cuidadosa, autêntica e satisfatória. É possível questionar junto com o autor sobre determinados aspectos e nos surpreender, com a ilimitada força da criação e suas ramificações atualmente exemplificadas pela Física, pela Química, Matemática e tantas outras ciências.

Fazendo essa analogia da ilha (do conhecimento) que está cercada pelo oceano (da ignorância), Gleiser configura uma alegoria poderosa sobre a incerteza do conhecido e o deslumbramento do inexplorado. Uma comprovação singular entre o discernimento e a insciência. Sem essa capacidade de buscar e principalmente, de encantar-se com o novo não haveria sentido se fazer ciência.

Fonte: Nerdpride

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Posted by innovoengenharia

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