Estudante baiano inicia estudos na área de industria da diversão

Pode um garoto sair de uma cidade do nordeste e tentar pesquisar Montanha Russas nos EUA? Pode sim! Nesta entrevista o estudante Filipe Augusto Daniel, nos conta como surgiu seu interesse em uma área com quase nenhum centro de pesquisa no Brasil, como conseguiu ingressar no Ciência Sem Fronteiras e seus primeiros meses no país da diversão.

INNOVO – Você fez seu ensino técnico no IFBA, como foi o percurso?

Eu entrei no IFBA em 2009 na modalidade Integrado cursando o médio e o técnico em Automação Industrial. Os dois primeiros anos do curso foram muito produtivos e eu parecia de fato me dar bem na área. Porém, infelizmente, as coisas mudaram muito entre os terceiro e quarto anos, pois eu perdi totalmente o interesse e acreditei que dar continuidade afetaria meus planos de entrar na universidade, algo que eu realmente gostaria de realizar. Abandonei o curso de meados pro final último ano.

INNOVO – Quando e como entrou para UFBA?

Eu prestei o vestibular a primeira vez para UFBA em 2012, para o curso de Física, apenas para ter a experiência. Eu fui aprovado mas incapaz de seguir no curso devido ao fato de não ter ainda naquela época o diploma de conclusão do ensino médio. Prestei o vestibular para a UFBA novamente em 2013, desta vez para Engenharia Mecânica, e novamente fui aprovado. Na época a UFBA já havia adotado o ENEM como primeira fase, mas mantendo a segunda tradicionalmente; considero meus estudos pro vestibular suficientes pra passar, como passei, mas acho que poderia ter me dedicado mais, especialmente porque abandonei meu curso técnico anterior para tal.

INNOVO – Quando começou a se interessar por Montanhas Russas?

Meu interesse por montanhas russas é algo bem peculiar e que vem desde a minha infância, quando comecei a ficar consciente das coisas. Era algo inexplicável, mas parques de diversão e, especificamente, montanhas russas, sempre pareceram interessantes pra mim, não só do ponto de vista da diversão em si, mas do foco funcional também. Me lembro muito bem de quando comecei a fazer meus primeiros desenhos, os primeiros esboços, quando eu tentava compreender como os trens se fixavam no trilho sem descarrilar; foi a primeira relação mecânica que eu fiz naquele contexto. À medida que fui me tornando adolescente, mais consciente das coisas, percebi que meu interesse na Física e na Mecânica estavam correlacionados com o funcionamento básico de montanhas russas e atrações afins. Hoje minha compreensão de todo o ponto de vista científico por trás disso está bem desenvolvido; através da minha curiosidade em pesquisar e procurar saber, descobri muitas coisas que normalmente as pessoas nem fazem ideia existir e fico feliz por isso, quero fazê-lo meu sonho pessoal e profissional. Ter preferências peculiares como essa é uma maneira de ser original, sobretudo profissionalmente.

INNOVO – Como foi sua adesão ao Ciências sem Fronteiras?

A ideia de tentar desenvolver meu sonho no Brasil nunca me pareceu promissora. Por uma questão cultural e financeira o Brasil não desenvolve largamente a chamada “Indústria da Diversão”. Isso me deixa triste, porque torna as coisas mais difíceis pra mim. O programa de intercâmbio Ciência Sem Fronteiras foi o primeiro grande passo para eu ter um contato mais direto com essa indústria, pois tive a chance de vir para os Estados Unidos, o país considerado como o “paraíso dos parques de diversão”. Para entrar no programa propriamente dito tive que passar por uma série de processos eliminatórios e classificatórios, o que inclui o ENEM, TOEFL (teste de proficiência na língua estrangeira, que neste caso é o inglês), cartas de recomendação, uma série de redações sobre objetivo de estudos, dentre outros. Vencer todas essas etapas foi muito difícil, mas no final as coisas se resolveram e eu consegui chegar até aqui.

INNOVO – Há quanto tempo está nos EUA e com é sua relação com a Universidade?

Faz cerca de dois meses desde que cheguei aqui. Atualmente não estou na parte acadêmica do programa, pois esta se inicia no ano que vem. Por enquanto curso apenas o inglês que está previsto para terminar em dezembro deste ano. Entretanto, na universidade onde estou (The University of Texas at Austin) existe um grupo formado por estudantes chamado “Theme Park Engineering Group” onde os mesmos trabalham com uma série de projetos no contexto da indústria da diversão. Eles prestam pequenos serviços de tematização para organizações deste tipo e também promovem uma série de eventos dando instruções e sugestões para aqueles que querem seguir a carreira. Eu já tive oportunidade de participar de mais de uma reunião do grupo, mas não pude de fato ser parte dele, já que não sou um alunoregular da universidade e também, há necessidade de vagas para entrar.

INNOVO – Encontrou ou está encontrando alguma dificuldade para se adaptar?

Por incrível que pareça, não enfrentei grandes dificuldades de adaptação. Culturalmente tudo me pareceu bem e aceitável; já com relação ao inglês, inicialmente pareceu bem difícil, sobretudo com os nativos e ainda hoje eu não me considero 100%. Porém, tento dar o meu melhor para aprender e conviver naturalmente com as pessoas. A cidade onde estou, Austin, é praticamente perfeita com relação às minhas necessidades e expectativas, eu viveria aqui tranquilamente.

INNOVO – Qual a contribuição de sua pesquisa para a engenharia? Ela pode contribuir com o social? Quais os benefícios para o Brasil?

É muito difícil pensar na minha pesquisa como uma grande contribuição socioeconômica, eu admito. Primeiro, eu estaria trazendo algo totalmente novo e que pouquíssimas pessoas tem noção, o que torna todo o contexto mais difícil. Por outro lado, podemos pensar nos impactos com relação a empregos, já que fundando uma companhia da área de indústria da diversão, eu estaria oferecendo mais vagas num novo ramo e estimulando a competitividade internacional. Digo internacional porque a grande maior parte das empresas dessa área são ou europeias ou americanas; seria uma boa oportunidade para trazê-las para o Brasil.

INNOVO – Por quanto tempo você vai ficar aí? E como pretende dar continuidade no projeto aqui no Brasil?

O tempo total de intercâmbio é de um ano e meio. Ainda não tenho pretensões com relação ao Brasil sobre trazer minha pesquisa, já que ainda não tive um contato mais direto com o ramo. Porém, eu já pensei numa possibilidade bem distante de fundar um grupo motivacional dessa área na UFBA, o que claramente é muito difícil, devido ao fato de ser algo inédito.

Fotos: Arquivo Pessoal

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Posted by Joseane Rosa

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