Vanessa fala sobre engenharia e a ligação com o inglês

Nossa última colunista mensal é Vanessa Passos, 20 anos. Formada como técnica de automação pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), Vanessa é professora de inglês e atualmente faz graduação em uma área diferente do curso que fez no IFBA, mas que, segundo ela, podem ser aproximadas.

Em uma entrevista envolvente, Vanessa mostra sua paixão pela engenharia, fala sobre a importância desta para a sociedade e explica como pretendem aproximar a engenharia do seu curso atual, Língua Estrangeira .
INNOVO – Você fez automação no IFBA. Como foi a experiência?
VANSSA – Difícil. Incrível. Eu e alguns amigos que conheci no Instituto costumávamos dizer que ali entramos crianças e saímos adultos. Não por conta da idade em si, mas devido à pressão a qual fomos expostos durante os quatro anos e três sofridos meses que nos preparou para a vida. Lidamos com todo o tipo de problema que uma instituição Federal enfrenta, e aprendemos de uma maneira absurda a buscar as melhorias necessárias para nossa “sobrevivência” no Instituto. Foi lá que tive a oportunidade de me aperfeiçoar naquilo em que já me considerava boa, e desenvolvi outras habilidades. Foi lá que passei a gostar muito de Física Teórica, pois passei a conseguir identificar sua presença em cada atividade cotidiana, ainda que meu relacionamento com a mãe Matemática tenha sido conturbado, mas vitorioso no final. Foi lá que fiz parte de um projeto de pesquisa, escrevi meu primeiro artigo científico, viajei durante 23 horas para apresentá-lo em um Congresso, e percebi que o que eu escrevi foi realmente lido, julgado e aprovado por pessoas que eu nem conheço. Eu, que saí da realidade de uma escola Estadual, onde bolinhas de papel me eram atiradas por tirar boas notas na turma. Soa como saudosismo, eu sei. E aí vem mais um clichê, mas não posso deixar de mencionar. Mesmo com todos os entraves pelos quais os alunos passam dentro da instituição, o Instituto oferece grandes oportunidades aos que sabem aproveitá-las, aos que querem mais do que apenas um diploma, ou, pior, o ensino médio com qualidade Federal. Ele te dá oportunidades de crescimento.

INNOVO – Você trabalhou na área ou obteve experiência prática? Como foi?
VANSSA – Fui estagiária da Petrobras/FAFEN na área de As-Built (como construído) da Fábrica, setor responsável pelo levantamento em campo e registro em documentos de todas as medidas existentes nas instalações elétricas, hidráulicas, de instrumentação, estruturais etc. Foram meses extremamente produtivos em que pude perceber quais funções poderia de fato exercer, dentre todas as opções que o curso me oferece. Vi de muito perto tudo aquilo que me foi apresentado tão superficialmente em livros e em sala de aula, e percebi que não teria maiores problemas se optasse por permanecer na área.
INNOVO – Atualmente você faz Letras na UFBA. Qual o motivo de fazer um curso tão diferente do técnico em automação?
VANSSA – Eu não desisti de engenharia, pretendo prosseguir para a graduação futuramente. Mas o curso de Engenharia Química que escolhi demandaria um tempo de dedicação superior ao que eu tenho agora, e como não tinha a menor intenção de simplesmente ficar sem estudar, segui para a minha outra área de dedicação, que é a Língua Inglesa. Sempre quis ser tradutora, e apesar de já ser fluente no idioma, preciso da graduação para me especializar.
INNOVO – É possível aproximar as duas áreas? Como?
VANSSA – Durante muito tempo eu me fiz essa pergunta. Havia duas de mim discutindo acaloradamente sobre como eu poderia simplesmente abandonar tudo o que vi e aprendi no IFBa e na FAFEN, partindo para um curso sem conexão alguma. Foi ai que me lembrei das aulas práticas nos laboratórios do Instituto, em que tínhamos de ler os manuais de PLC’s para então configurá-los, e o quanto nos debatíamos por não entender absolutamente nada do que diziam. Estavam em Inglês. “Que fácil!”, você diria. Engano comum. O Inglês Técnico é quase um dialeto incompreensível àqueles que não se dedicam ao seu aprendizado. Pesquisei e percebi que grande é a falta de tradutores de documentos de engenharia, e então encontrei a conexão que precisava para partir para o curso de Língua Estrangeira em paz. Vou unir os meus conhecimentos da área técnica e o vocabulário específico que já possuo às técnicas de tradução que são necessárias a qualquer tipo de tradução fiel.
INNOVO – Em sua opinião, qual a importância da engenharia para a sociedade? 
VANSSA – No Egito Antigo, inúmeras inovações trouxeram avanços para a agricultura, sobrevivência e ascensão social da população. O primeiro esboço do que conhecemos hoje por Bomba de Parafuso, ou Parafuso de Arquimedes, um grande parafuso (helicóide) que funciona em um plano inclinado e, girando, move o fluido de uma extremidade para a outra, foi construído artesanalmente para integrar o sistema de captação de água. Sem falar no sistema de irrigação também criado, que consistia no desenho de “caminhos-guia” na terra, de forma que a água pudesse percorrer. 
Qual o motivo de toda essa introdução? No início a engenharia, ainda que não tenha recebido esse nome, tinha por objetivo a melhoria de vida da população. Eram perguntas cujas respostas trariam benefícios em geral. Enquanto esse for o objetivo final de cada projeto, a engenharia contribuirá para o desenvolvimento social.
INNOVO – Para você qual a importância científica da Innovo? Como o grupo pode contribuir com o social?
VANSSA – A pesquisa e produção científica e acadêmica no país não são tão valorizadas quanto deveria.  Por esse motivo, quando jovens universitários – que se importam com mais do que apenas um diploma – se unem em busca de conhecimento que possa enfim responder algumas das perguntas que movimentam o mundo é sempre interessante.
Eu sigo uma idéia fixa que está colada em minha cabeça desde a minha 7ª série, quando ainda estudava na Escola Estadual Severino Vieira e visitei uma Feira Científica na Politécnica da UFBA. Os universitários que montaram aquela feira poderiam simplesmente seguir suas vidas e talvez eu nunca tivesse tido a oportunidade de me interessar por Física vendo todo o material que foi exposto ali. Painéis eletrônicos de LED, miniaturas de casas-inteligentes e uma série de outros projetos que me incentivaram a estudar para a prova do IFBA e escolher Automação Industrial como curso técnico. Desde então eu decidi que o que eu pudesse fazer para passar para frente o que já aprendi isso eu faria, ainda que seja comprando livros e histórias em quadrinhos da Turma da Mônica para minha prima e dessa forma incentivar nela o desejo a leitura. Talvez a Innovo possa contribuir dessa forma também com social. Conheço uma série de escolas estaduais que adorariam recebê-los e aos seus projetos.
INNOVO – O que você pretende abordar na sua coluna mensal? 
VANSSA – Pretendo trazer técnicas de tradução aplicadas a documentos técnicos que podem ajudar aos estudantes de engenharia e cursos técnicos a ler e interpretar os materiais de estudo disponíveis tanto em bibliografias quanto na Internet, sempre tentando apresentar um conteúdo útil aos que a lerem.

Comments

comments

Posted by Joseane Rosa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *