João Marcelo comenta sobre sua coluna e explica a formação da Innovo

João Marcelo tem 19 anos é técnico em automação pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA) e um dos
integrantes responsáveis pela criação do grupo Innovo Engenharia de Controle e Automação. Atualmente ele cursa o primeiro semestre do curso de Engenharia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e recentemente foi premiado, juntamente com parceiros da Innovo, em concurso da Fapesb por projetos inovadores na área da tecnológica.

Em sua coluna mensal João Marcelo irá abordar as últimas novidades em inovações tecnológica produzidas no Brasil e no mundo, e como estas podem melhorar a vida da população. Nesta entrevista João os conta um pouco do seu percurso acadêmico e sobre a formação da Innovo.

INNOVO – Como foi a experiência em cursar o técnico de automação pelo IFBA?
JOÃO – Foi gratificante. Acho muito importante o ensino técnico para aqueles que pleiteiam cursar engenharia. Além de ser um dos cursos com melhores condições de trabalho e renda, o indivíduo passa a ter uma macrovisão sobre o mercado de trabalho e pode escolher o curso superior que mais se adéqua ao seu perfil. E, por fim, ele ganha uma habilidade prática da atividade, o que as vezes não é trabalhado na engenharia.

INNOVO – Depois que terminou o técnico você ingressou na UFBA. Como tem aproveitado a experiência acumulada no IFBA?
JOÃO – De princípio, já entrei no curso técnico sabendo o que iria estudar, e, diga-se de passagem, isto é muito importante, pois escolhi aquilo que me agradava. Ganhei também uma habilidade prática formidável, e pude compreender melhor, neste início de vida acadêmica, os primeiros assuntos passados pelos professores. É como se os alunos recém chegados do ensino médio enxergassem uma realidade, e como técnico eu posso ver um ´´Algo a mais´´.


INNOVO – Qual a importância da engenharia na vida da população?
JOÃO – A Engenharia faz parte do dia a dia de todos nós. Os Engenheiros se encontram nas indústrias, as quais nos fornecem produtos que compõem o nosso dia a dia; nas prefeituras, propiciando o melhor desenvolvimento nas cidades; nos hospitais, desenvolvendo e propiciando o bom funcionamento de equipamentos médicos e nos centros de pesquisas, universidades e escolas com o desenvolvendo de novas técnicas, produtos e formando novos profissionais. A própria palavra engenharia deriva do verbo engenhar, que quer dizer inventar, inovar, materializar o conhecimento, ter ideias, resolver problemas, ações que toda a população desenvolve em alguns momentos da vida.  Além do mais, a ciência engenharia é a que mais participa de concursos de inovação e tecnologia no mundo, a que mais deposita patentes no Brasil e a que mais faz pesquisa.

INNOVO – Durante os anos no técnico você e amigos criaram o do grupo Innovo. Como foi o processo?
JOÃO – Tudo começou com o nosso primeiro e já premiado produto, a planta didática industrial de baixo custo. Trabalhamos essa ideia em grupo e resolvemos ingressar num programa de Jovem Cientista do IFBA para a formação de produtos empreendedores. Com o auxílio do professor de física do Instituto, Jancarlos Lapa, e algumas dicas e palpites do professor de Controle Automático, José Lamartine Neto, maturamos a ideia, tomamos cursos para aperfeiçoamento e aprendizagem e começamos a produzir. O processo de produção e construção fez com que nos encontrássemos semanalmente durante alguns meses, os frequentes encontros e a percepção eminente de que ambos compartilhavam as mesmas ideias sobre engenharia, inovação e tecnologia, somados aos cursos de empreendedorismo (que é um dos viés do grupo) fornecidos pelo instituto, resultaram então na criação da Innovo Engenharia, um grupo de pesquisa independente e que visa a criação e produção de novos produtos e processos sem perder o viés social. A planta ainda é desenvolvida por nós e vêm se tornando a cada dia mais um produto tenológico.

INNOVO – No grupo como será tratada a relação entre a engenharia, inovações tecnológicas e sociedade?
JOÃO – O grupo defende o desenvolvimento de uma engenharia mais humana, que não vise apenas o lucro e o capital, mas que esteja aberta também as mazelas da sociedade. Chega a ser vergonhoso falar que vivemos no país que desenvolveu tecnologias já utilizadas e conhecidas mundialmente como o carro a três combustíveis, o coração artificial, a urna eletrônica, o papel fotográfico que abriga os campeões mundiais de famosas olimpíadas acadêmicas e escolares, e que, ao mesmo tempo, não conseguem resolver o problema da falta de água do nordeste brasileiro.  Em curtas palavras, falo de um retorno mais direto dos engenheiros á sociedade, de praticar o  ´´engenhar´´ e resolver os problemas com ideias, soluções práticas. O assunto será muito debatido e comentado nas colunas de Tiago Matos na primeira semana de cada mês.

INNOVO – Como as inovações tecnológicas podem melhorar a vida da população?
JOÃO – As inovações tecnológicas devem facilitar, por exemplo, o transporte urbano, melhorar as condições de trabalho, deixar a conta de energia mais barata, reduzir as emissões de poluentes, propiciar uma melhor prática de exercícios físicos, permitir o avanço da medicina e etc. A tecnologia é, e pode ser cada vez mais um agente de transformação na qualidade de vida populacional. Para tanto, deve encontrar investimento dos poderes público e privado, o incentivo da produção empreendedora e estar acessível a população.

INNOVO – Recentemente vocês participaram de concurso da Fapesb sobre inovações tecnológicas. Como foi a experiência?
JOÃO – Participei junto com alguns amigos fundadores do grupo e foi gratificante. A experiência de ter reconhecido pela comunidade o trabalho pensado, elaborado e construído é  gratificante e incentivadora. Além do mais, foi algo que me acrescentou muito; ouvi críticas, sugestões e elogios de pessoas especialistas nas áreas em que pleiteio no futuro trabalhar (Automação, Eletrônica, Engenharia) e passei por um processo seletivo de nível estadual que dá a mim e aos demais envolvidos a convicção de que estamos no caminho certo.

INNOVO – O que pretende abordar na sua coluna?
JOÃO – Pretendo abordar na minha coluna um fator bastante relevante e que eu considero uma das essências do grupo: inovação, tecnologia e empreendedorismo. O leitor pode esperar bastante informação sobre pesquisas desenvolvidas em universidades do Brasil e mundo a fora, tendências de inovação tecnológica e a aplicação real no dia a dia do individuo, críticas sobre os malefícios de tais protótipos e caminhos a se seguir para a solução destas.

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Posted by Joseane Rosa

This article has 2 Comments

  1. Espero poder ler muitas publicações sobre Empreendedorismo, Engenharia e Inovação…esse universo de teias relacional. Admiro a postura, que ainda é muito pouco expressiva no Brasil, dessa preocupação de retorno á sociedade. E espero que com esse trabalho você possa abrir mais janelas para o futuro e atrair o olhar de mais pessoas sobre essa importante ação que vêm tomando. Parabéns

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